{"id":1106,"date":"2018-03-16T01:24:36","date_gmt":"2018-03-16T04:24:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/?p=1106"},"modified":"2020-06-26T03:23:01","modified_gmt":"2020-06-26T06:23:01","slug":"afro-preto-ou-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/afro-preto-ou-negro\/","title":{"rendered":"Afro, preto ou negro?"},"content":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado na d\u00e9cada de 60 pelo ent\u00e3o editor da revista preta norte-americana Ebony. \u00c9 interessante ver como a quest\u00e3o da autodenomina\u00e7\u00e3o se desenvolve nos EUA ao longo da hist\u00f3ria, por isso fizemos uma r\u00e1pida tradu\u00e7\u00e3o do artigo. No final, voc\u00ea pode encontrar o link para o original em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"43\" height=\"45\" src=\"http:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/um-adinkra-1.png\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<h2>O que h\u00e1 em um nome?<br \/>\n\u201cNegro\u201d vs. \u201cafro-americano\u201d vs. \u201cPreto\u201d<\/h2>\n<h2>Por LERONE BENNETT, JR.<\/h2>\n<p>Editor s\u00eanior, Revista Ebony<\/p>\n<p> Fonte: Revista Ebony 23 (Novembro de 1967): 46-48, 50-52, 54.<\/p>\n<p><i>&#8220;Quando eu uso uma palavra&#8221;, disse Humpty Dumpty num tom bastante desdenhoso, &#8220;ela significa s\u00f3 o que eu quiser que ela signifique. Nem mais nem menos.&#8221;<\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9&#8221;, disse Alice, &#8220;se voc\u00ea pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.&#8221;<\/i><\/p>\n<p><i>&#8220;A quest\u00e3o&#8221;, disse Humpty Dumpty &#8220;\u00e9 saber de quais voc\u00ea tem que ser mestre \u2014 isso \u00e9 tudo.&#8221;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Lewis Carroll, Alice Atrav\u00e9s do Espelho<\/p>\n<p>Mais concretamente, no contexto do espelho racial, a quest\u00e3o \u00e9 se algu\u00e9m pode fazer a palavra &#8220;Negro&#8221; significar muitas coisas diferentes ou se devemos abandon\u00e1-la e usar as palavras &#8220;preto&#8221; ou &#8220;afro-americano&#8221;.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o est\u00e1 na raiz de uma amarga controv\u00e9rsia nacional sobre a designa\u00e7\u00e3o adequada para os americanos que podem ter ascend\u00eancia africana identificada (mais de 40 milh\u00f5es de &#8220;brancos&#8221; norte-americanos, de acordo com alguns estudiosos, t\u00eam ancestrais africanos). Um grupo grande e barulhento est\u00e1 lan\u00e7ando uma campanha agressiva para o uso da palavra &#8220;afro-americano&#8221; como a \u00fanica designa\u00e7\u00e3o historicamente exata e humanamente significativa dessa por\u00e7\u00e3o grande e fundamental da popula\u00e7\u00e3o americana. Esse grupo sustenta que a palavra &#8220;Negro&#8221; \u00e9 um ep\u00edteto impreciso que perpetua a mentalidade de mestre-escravo nas mentes de ambos: pretos e brancos americanos. Um grupo igualmente grande, mas n\u00e3o t\u00e3o barulhento, diz que a palavra &#8220;Negro&#8221; \u00e9 t\u00e3o precisa e tem tanta eufonia como as palavras &#8220;preto&#8221; e &#8220;afro-americano&#8221;. Esse grupo desdenha das premissas dos defensores da mudan\u00e7a. Um Negro chamado por qualquer outro nome, dizem, seria t\u00e3o preto e t\u00e3o bonito \u2014 e t\u00e3o segregado. \u00c0s vezes, acrescentam, \u00e9 muito importante para os negros dissiparem suas energias em lutas fratricidas sobre nomes. Mas o contingente pr\u00f3-preto afirma, com Humpty Dumpty, que os nomes s\u00e3o da ess\u00eancia do jogo de poder e controle. E eles afirmam que uma mudan\u00e7a de nome ser\u00e1 um curto-circuito nos padr\u00f5es de pensamento estereotipados que sustentam o sistema de racismo na Am\u00e9rica. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, um terceiro grupo, constitu\u00eddo principalmente por defensores do Black Power, adotou um novo vocabul\u00e1rio em que a palavra &#8220;preto&#8221; \u00e9 reservada para &#8220;irm\u00e3os pretos e irm\u00e3s que est\u00e3o emancipando a si mesmos&#8221;, e a palavra &#8220;Negro&#8221; \u00e9 usada com desprezo para os Negros &#8220;que ainda est\u00e3o no bolso dos branquinhos e que ainda pensam sobre si mesmos e falam de si pr\u00f3prios como Negros&#8221;.<\/p>\n<p>Essa controv\u00e9rsia, que se enfurece com intensidade religiosa das esquinas do Harlem at\u00e9 os campi de faculdades do Sul, alienou velhos amigos, dividiu organiza\u00e7\u00f5es nacionais e interrompeu conven\u00e7\u00f5es nacionais. Foi discutida com gravidade em uma reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Consultiva Nacional de Dist\u00farbios Civis e \u00e9 uma quest\u00e3o de grande preocupa\u00e7\u00e3o para os l\u00edderes negros de destaque, que t\u00eam sido vaiados e publicamente denunciados por usarem a palavra &#8220;Negro&#8221;.<\/p>\n<p>No ano passado, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es registraram oposi\u00e7\u00e3o ao uso continuado das palavras. Na Confer\u00eancia sobre Racismo na Educa\u00e7\u00e3o, da Federa\u00e7\u00e3o Americana de Professores, os delegados aprovaram por unanimidade uma resolu\u00e7\u00e3o que apelou a todos os educadores, pessoas e organiza\u00e7\u00f5es a abandonar o &#8220;nome imposto pela escravid\u00e3o&#8221;, &#8220;Negro&#8221;, em favor dos termos &#8220;Africano americano&#8221; ou &#8220;afro-americano&#8221;. Uma resolu\u00e7\u00e3o similar foi aprovada por unanimidade na Confer\u00eancia Nacional Black Power. Mas os conferencistas Black Power agravaram o problema, insistindo sobre a substitui\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;Negro&#8221; pela palavra &#8220;Preto&#8221;. Havia fermento adicional durante esse mesmo per\u00edodo, mas em n\u00edvel local, onde grupos militantes adotaram uma variedade de resolu\u00e7\u00f5es pr\u00f3-&#8220;pretos&#8221; e pr\u00f3-&#8220;afro-americanos&#8221; e salpicaram jornais e revistas com raiva e, em alguns casos, com cartas abusivas. Alguns defensores pr\u00f3-&#8220;Negro&#8221; cobraram indignadamente que &#8220;toda a quest\u00e3o negra foi levantada por um punhado de intelectuais, nenhum dos quais \u00e9 negro, com exce\u00e7\u00e3o de suas barbas&#8221;. Mas era \u00f3bvio que a controv\u00e9rsia tinha tocado emo\u00e7\u00f5es profundas na comunidade preta, onde muitos segmentos, especialmente os jovens, est\u00e3o envolvidos em uma busca angustiante de autoidentidade e autodetermina\u00e7\u00e3o. Press\u00f5es desses grupos e de profissionais negros deram ao movimento uma vantagem que os nacionalistas isolados, trabalhando sozinhos, nunca tinham sido capazes de forjar. E foi em resposta \u00e0 onda crescente de pretid\u00e3o que v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, algumas delas compostas de profissionais negros, mudaram de papel timbrado para indicar a nova vis\u00e3o que eles t\u00eam de si mesmos e de sua rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica e Am\u00e9rica. A Associa\u00e7\u00e3o de Professores Negros de Nova York, por exemplo, tornou-se a Associa\u00e7\u00e3o Africana-Americana de Professores. Mais significativamente, em termos de impacto em massa, o New York Amsterdam News, um dos maiores jornais pretos, anunciou que deixaria de usar a palavra &#8220;Negro&#8221;. O jornal, que agora identifica americanos de ascend\u00eancia africana como afro-americanos, relata uma resposta favor\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a. Dick Edwards, editor-assistente, diz que as cartas est\u00e3o em nove contra um a favor de &#8220;afro-americanos&#8221;. N\u00f3s gostamos da palavra&#8221;, diz ele, &#8220;porque somos descendentes de africanos e porque somos americanos&#8221;. Ele acrescentou: &#8220;H\u00e1 uma certa rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra &#8216;Negro&#8217;, especialmente pelos jovens, por causa da opress\u00e3o em que nascemos, e por que esse nome nos foi imposto. Parece haver obje\u00e7\u00e3o s\u00e9ria ao termo entre os jovens, que ligam a palavra &#8216;Negro&#8217; com o Pai Tom\u00e1s. Eles raramente usam a palavra &#8216;Negro&#8217;. Eles usam &#8216;Preto&#8217; e &#8216;Africano&#8217;. Alguns deles fazem obje\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo para a palavra &#8216;afro-americano&#8217;, preferindo o termo &#8216;Afram&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Esse jogo dos nomes \u00e9 real?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que vai durar?<\/p>\n<p>H\u00e1 motivos s\u00e9rios para a oposi\u00e7\u00e3o violenta \u00e0 palavra &#8220;Negro&#8221;?<\/p>\n<p>Para responder a essas perguntas e relacion\u00e1-las com toda a borbulhante controv\u00e9rsia, deve-se voltar 400 anos. Pois os americanos de ascend\u00eancia africana t\u00eam discutido sobre nomes desde que eles foram for\u00e7adamente transportados da \u00c1frica pelos europeus, que arbitrariamente marcavam-nos &#8220;pretosmouros&#8221;, &#8220;mouros&#8221;, &#8220;negrinhos&#8221; e &#8220;negros&#8221;. O ingl\u00eas &#8220;negro&#8221; \u00e9 uma deriva\u00e7\u00e3o da palavra espanhola e portuguesa &#8220;negro&#8221;, que significa preto. Os portugueses e espanh\u00f3is, que foram pioneiros no com\u00e9rcio de escravos africanos, usavam esse adjetivo para designar os homens e mulheres africanos que eles capturavam e transportavam para o mercado escravo do Novo Mundo. Dentro de um curto espa\u00e7o de tempo, a palavra portuguesa negro (sem mai\u00fascula) tornou-se o substantivo-adjetivo ingl\u00eas &#8220;Negro&#8221;. Essa palavra, que n\u00e3o teve mai\u00fascula no in\u00edcio, fundiu n\u00e3o s\u00f3 humanidade, nacionalidade e local de origem, mas tamb\u00e9m certos julgamentos brancos sobre a inferioridade inerente e irremedi\u00e1vel das pessoas assim designadas. A palavra tamb\u00e9m se refere a certos lugares da (lei) Jim Crow, ou seja, o &#8220;banco negro&#8221; nas igrejas crist\u00e3s.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos primeiros americanos de ascend\u00eancia africana \u00e0 palavra &#8220;Negro&#8221; nunca foi adequadamente estudada. Mas parece que, a partir de um exame de documentos que restaram, alfabetizados negros resistiram \u00e0 palavra com ast\u00facia e tenacidade. Os primeiros imigrantes pretos parecem ter preferido a palavra &#8220;Africano&#8221;. Em documentos descobertos, eles referiram a si mesmos como &#8220;pretos &#8220;, &#8220;negros&#8221; e &#8220;africanos&#8221;. E as primeiras institui\u00e7\u00f5es organizadas pelos norte-americanos de ascend\u00eancia africana foram designadas &#8220;Africano&#8221;, &#8220;A Sociedade Livre Africana&#8221;,&#8221;A Igreja Metodista Episcopal Africana&#8221;, &#8220;A Igreja Batista Africana&#8221;. O pre\u00e2mbulo da Sociedade Livre Africana, que foi fundada na Filad\u00e9lfia, em 1787, come\u00e7a: &#8220;N\u00f3s, os africanos livres e seus descendentes da cidade de Filad\u00e9lfia, no Estado da Pensilv\u00e2nia ou em outro lugar\u2026&#8221;.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os preliminares de americanos de ascend\u00eancia africana para definir-se em termos africanos foram revertidos repentina e dramaticamente nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 19. Quando a Sociedade Americana de Coloniza\u00e7\u00e3o organizou um movimento para enviar africanos livres &#8220;de volta&#8221; para a \u00c1frica, a comunidade de cor reagiu abandonando a palavra &#8220;Africano&#8221; em favor das palavras &#8220;de cor&#8221; e \/ ou &#8220;pessoas de cor livres&#8221;. Em 1835, a quinta conven\u00e7\u00e3o anual das pessoas de cor da Am\u00e9rica aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o que recomenda &#8220;na medida do poss\u00edvel, o nosso povo a abandonar o uso da palavra &#8216;de cor&#8217; quando quer falar ou escrever sobre si mesmo e, especialmente, a remover o t\u00edtulo de Africano de suas institui\u00e7\u00f5es, dos m\u00e1rmores de igrejas etc\u2026&#8221;. L\u00edderes da Filad\u00e9lfia mais tarde recomendaram o uso do termo &#8220;americanos oprimidos&#8221;. Essse conselho foi desprezado pelos l\u00edderes de cor militantes. &#8220;Americanos oprimidos!&#8221;, bufou Samuel Cornish, &#8220;Quem s\u00e3o eles? Absurdo! Voc\u00eas s\u00e3o AMERICANOS DE COR. Os \u00edndios s\u00e3o AMERICANOS VERMELHOS, e os brancos s\u00e3o os AMERICANOS BRANCOS e voc\u00eas s\u00e3o t\u00e3o bons quanto eles, e eles n\u00e3o s\u00e3o melhores do que voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>Os &#8220;americanos oprimidos&#8221; foram derrotados pelos &#8220;americanos de cor&#8221;, e o termo &#8220;de cor&#8221; tornou-se a palavra dominante na comunidade de cor pelo resto do s\u00e9culo XIX. Havia, com certeza, dissid\u00eancias. Frederick Douglass, a principal figura p\u00fablica de cor, usou a palavra &#8220;Negro&#8221; de vez em quando \u2014 e alguns exc\u00eantricos experimentaram termos como &#8220;anglo-americano&#8221;. Por raz\u00f5es que provavelmente estavam conectadas com a tend\u00eancia de as &#8220;pessoas de cor livres&#8221; se retirarem das grandes massas de libertos, houve uma forte rea\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o &#8220;de cor&#8221; nos per\u00edodos de guerra civil e de reconstru\u00e7\u00e3o. Durante um curto per\u00edodo, o termo &#8220;Negro&#8221; ocupou aproximadamente o mesmo lugar na vida Negra que as palavras &#8220;preto&#8221; e &#8221; afro-americano&#8221; ocupam hoje. Em outras palavras, era um termo de milit\u00e2ncia, conscientemente usado por homens pretos que desafiadoramente afirmavam o seu orgulho de ra\u00e7a. Dizem, por exemplo, que Blanche Kelso Bruce, o primeiro homem preto a servir um mandato completo no Senado dos EUA, recusou-se a usar a palavra &#8220;de cor&#8221;, dizendo: &#8220;Eu sou um Negro, e tenho orgulho da minha ra\u00e7a&#8221;. O exemplo de Bruce n\u00e3o foi seguido por todos os l\u00edderes da Reconstru\u00e7\u00e3o. Na conven\u00e7\u00e3o constitucional da Carolina do Norte de 1888, James Walker Hood, um dos 15 delegados pretos, negou que &#8220;havia um Negro naquela Conven\u00e7\u00e3o&#8221;. Indignado e insultado, ele insistiu que a palavra Negro &#8220;n\u00e3o tinha nenhum significado quanto \u00e0 cor&#8221;, mas s\u00f3 poderia ser usada &#8220;em um sentido de reprova\u00e7\u00e3o ou degradante&#8221;, e ele ainda declarou que nenhum homem ali sabia onde o termo tinha se originado, &#8220;uma vez que n\u00e3o foi encontrado na hist\u00f3ria antiga, inspirada ou profana&#8221;. Na conven\u00e7\u00e3o constitucional da Carolina do Sul do mesmo ano, T. J. Coghlan, um sulista branco radical, ofereceu uma resolu\u00e7\u00e3o que insta a que sejam tomadas medidas para &#8220;expurgar para sempre do vocabul\u00e1rio da Carolina do Sul os ep\u00edtetos &#8216;negrinho&#8217;, &#8216;negro&#8217;, e &#8216;yankee&#8217;\u2026. e punir esse insulto com multa e pris\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em per\u00edodos de rea\u00e7\u00e3o e estresse extremo, o povo preto costuma voltar-se para dentro. Ele come\u00e7a a se redefinir e a discutir seriamente sobre nomes. O per\u00edodo p\u00f3s-Reconstru\u00e7\u00e3o, um dos momentos mais brancos da hist\u00f3ria americana, foi uma express\u00e3o arquet\u00edpica desse processo. A palavra &#8220;de cor&#8221; ainda mantinha uma posi\u00e7\u00e3o dominante nesse per\u00edodo, mas homens como Frederick Douglass e Booker T. Washington usaram a palavra &#8220;Negro&#8221; livremente. Havia tamb\u00e9m expoentes do tema afro-americano, como evidenciado pela funda\u00e7\u00e3o, em 1899, da Liga Nacional Afro-americana, e do jornal Afro-americano de Baltimore, fundado em 1892. Perto do final do s\u00e9culo, a palavra &#8220;Negro&#8221; come\u00e7ou a suplantar as palavras &#8220;de cor&#8221; e &#8220;afro-americano&#8221;. Foi durante esse per\u00edodo que as primeiras organiza\u00e7\u00f5es negras nacionais (a Academia Negra Americana em 1897 e a Liga Negra Nacional de Neg\u00f3cios em 1900) foram fundadas. A funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Avan\u00e7o das Pessoas de Cor (NAACP) em 1909 marcou, ao que parece, o pico de desaparecimento do movimento &#8220;de cor&#8221;. Em 1919, o Anu\u00e1rio Negro poderia informar: &#8220;H\u00e1 uma crescente utiliza\u00e7\u00e3o da palavra &#8216;Negro&#8217; e um uso decrescente do termo &#8216;de cor&#8217; e &#8216;afro-americano&#8217; para designar-nos como um povo. O resultado \u00e9 que a palavra &#8216;Negro&#8217; est\u00e1, cada vez mais, adquirindo uma dignidade que n\u00e3o tinha no passado&#8221;. Durante esse mesmo per\u00edodo, houve uma campanha agressiva para a capitaliza\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;Negro&#8221;. Essa campanha, que foi levada pela NAACP, atingiu o pico em 1930, quando o New York Times anunciou que iria imprimir a palavra &#8220;Negro&#8221; com letra mai\u00fascula. Em um editorial (7 de mar\u00e7o de 1930), o jornal disse: &#8220;Em nosso &#8216;livro de estilo&#8217;, &#8216;Negro&#8217; agora \u00e9 adicionada \u00e0 lista de palavras a serem escritas com inicial mai\u00fascula. N\u00e3o \u00e9 meramente uma mudan\u00e7a tipogr\u00e1fica, \u00e9 um ato de reconhecimento do autorrespeito racial daqueles que t\u00eam estado por gera\u00e7\u00f5es em &#8216;caixa baixa'&#8221;.<\/p>\n<p>Embora a palavra &#8220;Negro&#8221; tenha se tornado uma designa\u00e7\u00e3o geralmente aceit\u00e1vel nos anos l930, houve forte oposi\u00e7\u00e3o dos militantes radicais, como Adam Clayton Powell, que continuaram a usar a palavra &#8220;preto&#8221;, e de militantes nacionalistas, como Elijah Muhammad, que continuou a falar dos &#8220;assim chamados negros&#8221;. Essa oposi\u00e7\u00e3o, incipiente e desorganizada, foi agu\u00e7ada nos anos 50 e 60 pela arte ret\u00f3rica de Malcolm X e pelo surgimento do movimento Black Power (Poder Preto). Mas Malcolm X e o movimento Black Power foram reflexos de uma crise geral de identidade, que \u00e9 similar em tom e urg\u00eancia \u00e0s crises do s\u00e9culo 19 e das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Parece, a partir desse esbo\u00e7o hist\u00f3rico, que a palavra &#8220;Negro&#8221; tem sido um termo geralmente aceit\u00e1vel na comunidade preta ou, se preferir, a comunidade Negra, por um tempo relativamente curto. Parece tamb\u00e9m que houve uma oposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e sustentada ao termo. Os cr\u00edticos contempor\u00e2neos da palavra &#8220;Negro&#8221; dizem que Booker T. Washington foi o principal respons\u00e1vel pela campanha em que a palavra &#8220;Negro&#8221; suplantou os termos &#8220;preto&#8221;, &#8220;de cor&#8221; e &#8220;afro-americano&#8221;. H\u00e1 verdade nisso \u2014 o Anu\u00e1rio Negro e a Liga Negra de Neg\u00f3cios eram projetos de Washington \u2014, mas n\u00e3o \u00e9 toda a verdade. O movimento para a ado\u00e7\u00e3o da palavra &#8220;Negro&#8221; tamb\u00e9m teve um forte impulso dos militantes radicais como W. E. B. Du Bois, que foi um dos fundadores da Academia Negra Americana, e militantes nacionalistas, como Marcus Garvey, que usou a palavra &#8220;Negro&#8221; de forma consistente e nomeou sua organiza\u00e7\u00e3o &#8220;Associa\u00e7\u00e3o Universal para o Desenvolvimento do Negro&#8221;. De fato, o argumento cl\u00e1ssico em favor da palavra &#8220;Negro&#8221; foi articulado por W. E. B. Du Bois em uma resposta a uma carta pr\u00f3-&#8220;Africano&#8221;. Desde que essa carta, que apareceu na Crisis, em mar\u00e7o de 1928, traz algumas das principais quest\u00f5es na pol\u00eamica, estamos mostrando com algum detalhe.<\/p>\n<p>(Nota: a carta foi suprimida na edi\u00e7\u00e3o original do artigo)<\/p>\n<p>O argumento de Du Bois \u00e9, como de costume, persuasivo. Mas, aos olhos do contingente pr\u00f3-&#8220;preto&#8221;, \u00e9 pouco conclusivo. Os cr\u00edticos desta carta famosa dizem que as premissas de Du Bois s\u00e3o d\u00fabias, para dizer o m\u00ednimo. Por exemplo: ele come\u00e7a com a premissa correta de que os nomes s\u00e3o objetivamente sem import\u00e2ncia. Em outras palavras, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma conex\u00e3o necess\u00e1ria entre o &#8220;nome&#8221; e a &#8220;coisa&#8221;. A partir dessa premissa, que \u00e9 objetivamente verdadeira, ele tira uma conclus\u00e3o bem diferente: que os nomes n\u00e3o s\u00e3o importantes para as pessoas. Keith Baird, o coordenador do Afro-American History and Cultural Center of the New York City Board of Education, e outros oponentes da palavra &#8220;Negro&#8221; apontam que a erudi\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica moderna \u00e9 praticamente un\u00e2nime em suas conclus\u00f5es de que os nomes e palavras determinam, em grande medida, o que vemos e o que sentimos. Eles tamb\u00e9m criticam a afirma\u00e7\u00e3o de Du Bois de que &#8220;o uso cont\u00ednuo e abrangente&#8221; pode fazer de uma palavra imprecisa, precisa. Quanto a essa conclus\u00e3o eloquente, os cr\u00edticos dizem que Du Bois evitou o problema. Ningu\u00e9m duvida que a &#8220;coisa&#8221; \u00e9 importante, pelo menos em determinados n\u00edveis. Mas toda a quest\u00e3o do racismo nos Estados Unidos \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de negar o status de humanidade para certas pessoas \u2014 milion\u00e1rios, bem como acad\u00eamicos mundialmente famosos como Du Bois \u2014 que conquistaram a &#8220;coisa&#8221;, mas a quem foi negado um certo nome.<\/p>\n<p>Du Bois era muito honesto e muito brilhante para se contentar com a eloquente mas evasiva declara\u00e7\u00e3o de 1928. Em 1958, ele ainda estava lutando com a quest\u00e3o da terminologia. Al\u00e9m disso, suas obras (&#8220;A Alma da Gente Preta&#8221;, &#8220;Os Dons da Gente Preta: Ent\u00e3o e Agora&#8221;, &#8220;Reconstru\u00e7\u00e3o Preta&#8221;) atestam uma certa ambival\u00eancia sobre a palavra &#8220;Negro &#8220;.<\/p>\n<p>Por tudo isso, Du Bois declarou o problema com lucidez e for\u00e7a, e as suas palavras s\u00e3o ecoadas por alguns intelectuais contempor\u00e2neos. A Dra. Jeanne Spurlock, uma psiquiatra proeminente que tem sido ativa no movimento de liberta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acredita que a mudan\u00e7a de nome vai mudar a experi\u00eancia que os negros t\u00eam de si mesmos e a experi\u00eancia que os outros t\u00eam dos negros. &#8220;A palavra &#8216;Negro'&#8221;, diz ela, &#8220;significa coisas diferentes para pessoas diferentes, dependendo de tantas coisas em seus backgrounds individuais&#8221;. Alguns indiv\u00edduos, acrescentou, podem ter uma necessidade, dependendo de seus planos de fundo individuais, de rejeitar o termo. Ela n\u00e3o tem obje\u00e7\u00f5es a que essas pessoas utilizem as palavras &#8220;preto&#8221; ou &#8220;afro-americano&#8221;, se as palavras ajudarem a alcan\u00e7ar um sentido de identidade e organiza\u00e7\u00e3o interna. A Dra. Spurlock diz que ela prefere a palavra &#8220;Negro&#8221;, se designa\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas forem necess\u00e1rias. &#8220;Eu n\u00e3o fico ofendida com a palavra&#8221;, diz ela. &#8220;Eu me sinto confort\u00e1vel em ser negra, em ser preta&#8221;.<\/p>\n<p>Um coment\u00e1rio semelhante veio do Dr. Benjamin Quarles, professor de hist\u00f3ria na Faculdade Morgan. &#8220;A estimativa que algu\u00e9m tem de si mesmo&#8221;, diz ele, &#8220;assume muitas formas. H\u00e1 n\u00edveis de sofistica\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea vocaliza seu protesto e deixa claro a sua identidade. Para algumas pessoas, a melhor maneira de deixar evidente sua identidade \u00e9 negando a palavra &#8216;Negro&#8217;, que, tradicionalmente, eles dizem, \u00e9 um nome orientado a uma situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o. Outras pessoas podem preferir o que eles consideram t\u00e9cnicas mais sofisticadas de projetar a sua identidade. No entanto, voc\u00ea tem que admitir que pode ser necess\u00e1rio para certos indiv\u00edduos evitarem o termo &#8216;Negro&#8217;. Eu n\u00e3o iria brigar com eles. No entanto, eu n\u00e3o me impediria de usar a palavra &#8216;Negro&#8217; porque n\u00e3o vejo nada de errado com ela. Palavras mudam em seu contexto. N\u00f3s temos muitas palavras que historicamente eram termos de difama\u00e7\u00e3o. Por exemplo, os Friends (<i>sociedade religiosa protestante<\/i>) foram chamados \u00e0s vezes Quakers por esc\u00e1rnio. Em vez de se esquivarem da palavra, eles a adotaram e fizeram dela um termo de grande respeito e significado. Eu acredito que voc\u00ea vai come\u00e7ar a ver a mesma evolu\u00e7\u00e3o da palavra &#8216;Negro&#8217; quando os americanos de descend\u00eancia africana moverem-se em seu lugar de direito na sociedade americana&#8221;.<\/p>\n<p>A abordagem &#8220;cada um, cada um&#8221; \u00e9 rejeitada por opositores da palavra &#8220;Negro&#8221;. Eles dizem que todas as pessoas pretas s\u00e3o afetadas nas profundezas do seu ser pela etiqueta coletiva. E eles afirmam que a busca pelo nome certo \u00e9 o n\u00edvel mais sofisticado de encontrar e proteger a identidade de algu\u00e9m. Talvez o expoente mais articulado dessa vis\u00e3o seja Keith Baird, o jovem especialista afro-americano do Conselho de Educa\u00e7\u00e3o de Nova York. De acordo com Baird, &#8220;o status econ\u00f4mico e social continuamente oprimido dos povos africanos na Am\u00e9rica, refor\u00e7ado e mantido pelos dominantes americanos de origem europeia, \u00e9 simbolizado e instrumentalmente promovido pelo seu cont\u00ednuo uso da denomina\u00e7\u00e3o &#8216;d\u00e9class\u00e9&#8217; Negro'&#8221;. Baird acrescenta: &#8220;Os esfor\u00e7os que est\u00e3o sendo feitos por militantes americanos de ascend\u00eancia africana requerem aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a cada fato ou fator que confere o estatuto da humanidade ao indiv\u00edduo \u2014 o direito e o poder de obter a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas da vida. Uma autoimagem positiva e melhorada \u00e9 uma necessidade psicol\u00f3gica da vida, e o nome carregado por qualquer indiv\u00edduo ou grupo pode ser um ve\u00edculo e s\u00edmbolo de autoimagem individual ou de grupo eficaz&#8221;.<\/p>\n<p>Baird cita um impressionante conjunto de estudiosos, incluindo Benjamin Lee Whorf, em apoio \u00e0 sua afirma\u00e7\u00e3o de que a linguagem tende a preestruturar o pensar e o agir. &#8220;N\u00f3s dizemos&#8221;, ele acrescenta, &#8220;que n\u00f3s falamos como pensamos. Na verdade, n\u00f3s tendemos a pensar como n\u00f3s falamos&#8221;. O significado de uma palavra ou express\u00e3o, continua ele, &#8220;\u00e9 o que ela faz, ou seja, o efeito que ela produz em seus ouvintes\u2026. Um nome pode determinar a natureza da resposta que lhe \u00e9 dada em virtude das associa\u00e7\u00f5es que o uso desse nome evoca&#8221;. Baird n\u00e3o afirma que a ado\u00e7\u00e3o do termo &#8220;afro-americano&#8221; vai resolver o problema racial americano. Ele acredita, por\u00e9m, que ele vai fazer uma diferen\u00e7a significativa nas economias internas de negros e brancos americanos. &#8220;O pr\u00f3prio ato e o fato de mudar a designa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ele, &#8220;far\u00e1 com que o indiv\u00edduo seja redesignado, reconsiderado, n\u00e3o s\u00f3 em termos de seu passado e seu presente, mas espero que em termos de seu futuro&#8221;. Ele acrescenta: &#8220;A designa\u00e7\u00e3o tem uma influ\u00eancia importante sobre o destino&#8221;.<\/p>\n<p>Baird tem obje\u00e7\u00f5es \u00e0 palavra &#8220;Negro&#8221; por dois motivos:<\/p>\n<p>1) A palavra &#8220;Negro&#8221; tem uma orienta\u00e7\u00e3o escrava que foi imposta aos americanos de ascend\u00eancia africana por escravocratas. &#8220;A palavra entrou em uso&#8221;, diz Baird, &#8220;em conex\u00e3o com a escraviza\u00e7\u00e3o do africano no Novo Mundo&#8221;. O uso da palavra tornou-se conectado com o que Earl Conrad tem t\u00e3o bem chamado de &#8220;conceito Negro&#8221;, a concep\u00e7\u00e3o grotesca do africano que foi moldada na mente dos europeus e for\u00e7ada com crueldade tir\u00e2nica sobre a pessoa e a personalidade do negro norte-americano.<\/p>\n<p>2) A palavra &#8220;Negro&#8221; n\u00e3o \u00e9 geograficamente ou culturalmente espec\u00edfica. &#8220;Historicamente&#8221;, diz Baird, &#8220;os grupos humanos foram nomeados de acordo com a terra onde eles se originaram\u2026 A falta de vontade do grupo dominante para reconhecer a humanidade do africano \u00e9 evidenciada pelo fato de que, quando \u00e9 necess\u00e1rio ou desej\u00e1vel identificar os americanos em termos da sua terra de sua origem, termos como \u00edtalo-americano, polon\u00eas-americano, h\u00edspano-americano, judeu americano (referindo-se ao antigo reino e cultura Judeia), etc., s\u00e3o empregados. Na mente americana n\u00e3o h\u00e1 nenhuma conex\u00e3o do preto americano com terra, hist\u00f3ria e cultura, fatores que proclamam a humanidade de um indiv\u00edduo&#8221;. Baird nega que a palavra inglesa &#8220;Negro&#8221; seja um sin\u00f4nimo de preto. Ele diz: &#8220;&#8216;Negro&#8217; n\u00e3o significa simplesmente &#8216;preto&#8217;, que seria o oposto simples, direto de &#8216;branco&#8217;. Falamos sobre um &#8216;homem branco&#8217; ou um &#8216;Cadillac branco&#8217;; podemos falar, como muitos infelizmente fazem, de um &#8216;homem negro&#8217;, mas nunca de um &#8216;Cadillac negro'&#8221;.<\/p>\n<p>Baird acredita que o termo &#8220;afro-americano&#8221; vai suplantar a palavra &#8220;Negro&#8221;. Ele n\u00e3o se op\u00f5e ao termo &#8220;preto&#8221;, que, segundo ele, n\u00e3o tem a precis\u00e3o hist\u00f3rica e cultural da express\u00e3o &#8220;afro-americano&#8221;. Ele \u00e9 apoiado nessa vis\u00e3o por Richard Moore, dono de uma livraria no Harlem e autor de <em>O Nome &#8220;Negro&#8221; \u2014 sua Origem e Mal Uso<\/em>. Moore diz que a palavra &#8220;Negro&#8221; \u00e9 t\u00e3o &#8220;saturada&#8221;, t\u00e3o &#8220;polu\u00edda&#8221; com os estere\u00f3tipos do homem branco, que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nada a ser feito, a n\u00e3o ser se livrar dela&#8221;. Ele prefere o termo &#8220;afro-americano&#8221; por causa de sua &#8220;corre\u00e7\u00e3o, exatid\u00e3o, mesmo eleg\u00e2ncia&#8221;. Ele acredita que a ado\u00e7\u00e3o da palavra vai obrigar &#8220;esses euro-americanos preconceituosos&#8221; a reavaliar o povo preto em termos de sua hist\u00f3ria e cultura. &#8220;Preto&#8221;, Moore disse, &#8220;\u00e9 uma designa\u00e7\u00e3o de cor solta que n\u00e3o est\u00e1 conectada com a terra, hist\u00f3ria e cultura. Enquanto eu reconhe\u00e7o como um passo em frente na dire\u00e7\u00e3o de se livrar do termo &#8216;Negro&#8217;, mas eu acho que \u00e9 necess\u00e1rio dar o passo seguinte&#8221;.<\/p>\n<p>Para dar o pr\u00f3ximo passo, seja qual for esse passo, milh\u00f5es de americanos de descend\u00eancia africana v\u00e3o ter que procurar suas almas e seus mapas internos. A pedido da Ebony Magazine, Ossie Davis, o dramaturgo e ator, procurou sua alma e veio com a seguinte declara\u00e7\u00e3o apaixonadamente eloquente:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">&#8220;Eu sou um Negro. Eu sou limpo, preto e eu sorrio muito. Sempre que eu quero alguma coisa \u2014 conseguir um emprego no cinema, por exemplo, ou na televis\u00e3o, ou obter uma pe\u00e7a produzida na Broadway, sempre que eu preciso de um favor pol\u00edtico \u2014 eu vou at\u00e9 os brancos. Os brancos t\u00eam dinheiro. Eu n\u00e3o. Os brancos t\u00eam poder. Eu n\u00e3o. Todas as minhas necessidades \u2014 financeiras, art\u00edsticas, sociais, minha necessidade de liberdade \u2014 dependem de gente branca para serem supridas. Isso \u00e9 o que se entende por ser um Negro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">Malcolm X costumava ser um Negro, mas ele parou. Ele n\u00e3o mais dependia de pessoas brancas para suprir suas necessidades \u2014 psicol\u00f3gica ou sociologicamente \u2014, para dar-lhe dinheiro ou levar a sua luta pela liberdade ou para proteg\u00ea-lo de seus inimigos ou para lhe dizer o que fazer. Malcolm X n\u00e3o odiava os brancos, nem os amava. Acima de tudo, ele n\u00e3o precisava dizer a eles quem ele era. Acima de tudo, ele estava determinado a agir por conta pr\u00f3pria. Foi por isso que Malcolm n\u00e3o era mais um Negro. Malcolm era um homem, um homem preto! Um homem preto significa n\u00e3o aceitar o sistema como Negros fazem, mas combater o sistema como o inferno, como Malcolm fez. Isso pode ser perigoso. Malcolm foi morto por isso. No entanto, eu gosto de Malcolm muito mais do que eu gosto de mim mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>Nesta declara\u00e7\u00e3o, Ossie Davis, que \u00e9 considerado um homem preto pelos l\u00edderes do movimento pr\u00f3-preto, adiciona uma nova dimens\u00e3o pessoal \u00e0 controv\u00e9rsia que ser\u00e1 liquidada finalmente pelo movimento interno dos norte-americanos de ascend\u00eancia africana. E no decorrer desse movimento, em um n\u00edvel ou outro, cada &#8220;Negro&#8221; e \/ou &#8220;preto&#8221; e\/ou &#8220;afro-americano&#8221; vai ter que escolher um nome no processo de escolha de seu ser.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 voc\u00ea?<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o seu nome?<\/p>\n<p><del>Leia o artigo original em ingl\u00eas aqui<\/del>\u00a0O artigo original foi retirado do ar.<\/p>\n<p>Compartilhe<\/p>\n<p>\t\t\t<!-- Simple Share Buttons Adder (7.4.18) simplesharebuttons.com --><div id=\"ssba-classic-2\" class=\"ssba ssbp-wrap left ssbp--theme-1\"><div style=\"text-align:left\"><a data-site=\"\" class=\"ssba_facebook_share\" href=\"http:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\"  target=\"_blank\" ><img src=\"https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-content\/plugins\/simple-share-buttons-adder\/buttons\/somacro\/facebook.png\" style=\"width: 30px;\" title=\"Facebook\" class=\"ssba ssba-img\" alt=\"Share on Facebook\" \/><div title=\"Facebook\" class=\"ssbp-text\">Facebook<\/div><\/a><a data-site=\"\" class=\"ssba_twitter_share\" href=\"http:\/\/twitter.com\/share?url=https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106&amp;text=Afro%2C%20preto%20ou%20negro%3F%20\"  target=&quot;_blank&quot; ><img src=\"https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-content\/plugins\/simple-share-buttons-adder\/buttons\/somacro\/twitter.png\" style=\"width: 30px;\" title=\"Twitter\" class=\"ssba ssba-img\" alt=\"Tweet about this on Twitter\" \/><div title=\"Twitter\" class=\"ssbp-text\">Twitter<\/div><\/a><a data-site=\"\" class=\"ssba_google_share\" href=\"https:\/\/plus.google.com\/share?url=https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\"  target=&quot;_blank&quot; ><img src=\"https:\/\/www.quilombhoje.com.br\/site\/wp-content\/plugins\/simple-share-buttons-adder\/buttons\/somacro\/google.png\" style=\"width: 30px;\" title=\"Google+\" class=\"ssba ssba-img\" alt=\"Share on Google+\" \/><div title=\"Google+\" class=\"ssbp-text\">Google+<\/div><\/a><\/div><\/div><br \/>\n\t\t\t<object \u2026 width=\"510\" height=\"80\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.quilombhoje.com.br\/banner-geral-atual.swf\" \/><param name=\"quality\" value=\"high\" \/><embed src=\"http:\/\/www.quilombhoje.com.br\/banner-geral-atual.swf\" quality=\"high\" width=\"510\" height=\"80\"><\/object><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo foi publicado na d\u00e9cada de 60 pelo ent\u00e3o editor da revista preta norte-americana Ebony. \u00c9 interessante ver como a quest\u00e3o da autodenomina\u00e7\u00e3o se desenvolve nos EUA ao longo da hist\u00f3ria, por isso fizemos uma r\u00e1pida tradu\u00e7\u00e3o do artigo. 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