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Sobre Lino Guedes e Machado na Caixa

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out 03 2011
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60 ANOS SEM LINO GUEDES


Olhar a estrada que ficou para trás é também descobrir marcas do protagonismo afro-brasileiro ao longo da história.

Ao invés do papel passivo de coadjuvantes a que nos relegam a historiografia e os relatos “oficiais”, em cada ponto dessa estrada redescobrimos uma associação, uma entidade, um militante que deixou marcas que resistiram às tentativas de invisibilização.
Este é o caso do poeta e jornalista Lino Guedes.

Há dúvidas sobre a data de nascimento de Lino Guedes, uns autores dizem que foi em 1897, outros afirmam que foi em 1906.

De todo modo, Lino Guedes faleceu em 1951. Portanto neste ano de 2011 completam-se sessenta anos de seu desaparecimento.

Poeta, romancista, ensaísta, Lino colaborou com vários jornais, dentre eles Diário do Povo, Correio Popular, Folha da Noite e Diário de São Paulo. Atuou na imprensa negra, entre 1923 e 1924 no semanário Getulino, sendo, posteriormente, editor do jornal Progresso. Publicou, dentre outros livros, “O Canto do Cisne Preto” (1926); “Ressurreição Negra (1928); “Urucungo” (1936); “Negro Preto Cor da Noite” (1936).

Dotado do mesmo objetivo de “elevação da raça” que norteia ações de entidades como a Frente Negra, por exemplo, Lino Guedes faz de seus escritos uma constatação lírica das desigualdades e da necessidade de ressurreição moral do povo afro.

Aliás, é interessante notar como num pós-abolição em que eram altos os índices de desemprego e analfabetismo entre a população negra, mostra-se forte a crença na atividade jornalística, literária e educacional como um meio de vencer as adversidades.

Escrevendo majoritariamente poesia, Lino faz do povo negro o personagem principal de seus versos, os quais não negam as atrocidades da escravidão e do racismo, mas transformam o que deve ter sido intensa dor numa experiência estética de superação. Também é recorrente a ideia de que um comportamento moral exemplar é necessário para que a aceitação do negro seja maior por parte da sociedade. Isso faz com que a poesia de Lino Guedes se mostre singela, formalmente distante dos anseios revolucionários de um Solano Trindade, por exemplo, mas a necessidade de expressão por vezes extrapola os limites corretos em que precisa se enquadrar.

Outra faceta interessante é o fato de Lino mostrar a mulher negra em sua poesia de uma forma muito lírica e próxima. É como se pudéssemos visualizar sua Ditinha, lembrando-nos de namoradas, esposas, irmãs, primas, vizinhas….

Lino tem o mérito de trazer o povo negro como protagonista de sua literatura e foi um dos autores que mais publicou.

Seguem abaixo dois poemas:

NOVO RUMO!

Negro preto cor da noite,
Nunca te esqueças do açoite
Que cruciou tua raça.
Em nome dela somente
Faz com que nossa gente
Um dia gente se faça!
Negro preto, negro preto,
Sê tu um homem direito
Como um cordel posto a prumo!
É só do teu proceder
Que, por certo, há de nascer
A estrela do novo rumo!
(Negro preto cor da noite, 1936)

DITINHA

Penso que talvez ignores,
Singela e meiga Ditinha,
Que desta localidade
És a mais bela pretinha:
Se não fosse profanar-te,
Chamar-te-ia… francesinha!

Então, quando vais à reza
Com teu vestido de cassa,
Não há mesmo quem não fale,
Orgulho da minha raça:
– Olha que preta bonita
E que andar cheio de graça!…

Se às vezes sorrio, a esmo,
Não me tomes por caduco.
Com teu vulto nos meus olhos,
Ando como aquele turco
Que, doloroso destino,
Ao te ver, ficou maluco…

Ah! Se souberas, Ditinha,
Que por sob essa aparente
Frieza, (quem tal diria!…)
Eu peço constantemente,
A Deus que um dia nos ponha
Numa casinha sem gente…
(Dictinha, 1938)

Fontes:
http://www.portalafro.com.br/linoguedes.htm
www.letras.ufmg.br/literafro
http://www.palmares.gov.br/?p=1892

 

SOBRE O BRANQUEAMENTO DE MACHADO DE ASSIS EM REDE NACIONAL

Pois é, valeu a grita dos intelectuais comprometidos com o Brasil de verdade, não com aquele Brasil idealizado pelos ideólogos do branqueamento e das desigualdades. Depois que foi veiculada uma propaganda com um Machado de Assis “limpo” de suas origens étnicas (grande bobagem), e depois que professores como Eduardo Duarte e Ana Maria Gonçalves publicaram textos denunciando isso (um deles aqui: http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2011/09/18/a-caixa-economica-federal-a-politica-do-branqueamento-e-a-poupanca-dos-escravos-por-ana-maria-goncalves/), a Caixa Econômica resolveu retirar do ar a propaganda, e enviou uma carta à Seppir, veja a seguir um trecho:

“Carta à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República sobre campanha dos 150 anos da Caixa Econômica Federal

A Caixa Econômica Federal reafirma a esta secretaria e aos movimentos sociais por ela defendidos o seu compromisso com a responsabilidade social e o respeito à diversidade. Esta instituição sempre estará alinhada com política de igualdade do nosso Governo Federal, regida pela justiça social e oportunidade para todos.

Em suas peças publicitárias, a CAIXA sempre buscou retratar a diversidade que caracteriza o nosso país, como pode ser demonstrado nas campanhas elaboradas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da própria Seppir.

No entanto, a CAIXA pede desculpas por sua última peça publicitária comemorativa aos 150 anos do banco, que teve como personagem o escritor Machado de Assis. A CAIXA lamenta que a peça não tenha caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com sua origem racial.

A CAIXA informa que suspendeu a veiculação e tomou providências para anulação do pagamento da campanha, elaborada por agência publicitária contratada pelo banco.”

Parabéns à Caixa Econômica pela rápida atitude e solução!
Parabéns aos que não ficaram calados diante do fato.

Agende-se: dia 09 de outubro tem a Pílula de Cultura das Crianças na Casa das Caldeiras em SP.

em novembro tem a Marcha de Zumbi, no dia 20

E AGUARDE: EM DEZEMBRO TEM O LANÇAMENTO DO LIVRO CADERNOS NEGROS 34, DE CONTOS

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LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA “LITERATURA E AFRODESCENDÊNCIA NO BRASIL”

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dez 01 2011
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DIA 06 DE DEZEMBRO – TERÇA – ÀS 19H

Acontece o lançamento desta caixa com 04 livros, trabalho fundamental feito pela editora da UFMG:

Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica
Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca (orgs.)

Na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – Centro – SP
Tel.: 3256-5270

Composto de quatro volumes, Literatura e afrodescendência no Brasil é fruto de pesquisa realizada em todas as regiões do país com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período colonial. Esta antologia crítica envolveu 61 pesquisadores, vinculados a 21 instituições de ensino superior brasileiras e seis estrangeiras. O resultado apresenta a faceta afro da literatura brasileira, num total de 100 escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos, contendo dados biográficos, estudo de obra, relação de publicações e de fontes de consulta.

Precursores – volume 1 – 583 páginas É dedicado aos autores afrodescendentes nascidos antes de 1930. Cobre um amplo painel que se inicia no século XVIII com Domingos Caldas Barbosa, passa por Luiz Gama e Maria Firmina dos Reis, com suas obras pioneiras em meados do século XIX, chega a Machado de Assis, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, Lima Barreto e abarca ainda autores do século XX, tais como Nascimento Moraes, Lino Guedes, Solano Trindade, Abdias Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Mestre Didi, Eduardo de Oliveira e Carlos de Assumpção.

Consolidação – volume 2 – 441 páginas O segundo volume se inicia com o poeta e ficcionista Oswaldo de Camargo e trata de escritores nascidos nas décadas de 1930 e 1940, entre eles Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes, Muniz Sodré, Conceição Evaristo, Adão Ventura, Paulo Colina, Oliveira Silveira, Domício Proença Filho, Geni Mariano Guimarães e Arnaldo Xavier. Aborda ainda o memorialismo angustiado de Francisca Souza da Silva, em sua perambulação pelas cozinhas, ruas e favelas brasileiras.

Contemporaneidade – volume 3 – 565 páginas Apresenta ensaio de Maria Nazareth Soares Fonseca sobre Cuti – poeta, ficcionista, um dos fundadores da série Cadernos Negros – e abarca um conjunto de 39 escritores nascidos na segunda metade do século XX: Miriam Alves, Edimilson de Almeida Pereira, Esmeralda Ribeiro, Salgado Maranhão, Éle Semog, Lia Vieira, Márcio Barbosa, Ronald Augusto, Paulo Lins, Ana Maria Gonçalves, José Carlos Limeira e Jônatas Conceição, entre outros.

História, teoria, polêmica – volume 4 – 419 páginas Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca (org.) Contempla reflexões sobre o projeto de uma literatura negra ou afro-brasileira a partir de visões diferenciadas e contrastantes. Traz depoimentos dos escritores Abdias Nascimento, Oswaldo de Camargo, Cuti, Conceição Evaristo, Márcio Barbosa e Esmeralda Ribeiro, empenhados na construção dessa vertente. Além disso, apresenta textos críticos de Octávio Ianni, Silviano Santiago, Zilá Bernd, Leda Maria Martins, Zahidé Muzart, Maria Nazareth Soares Fonseca, Eduardo de Assis Duarte, Regina Dalcastagnè e Marcos Antônio Alexandre.

No lançamento a caixa será vendida com desconto. Para maiores informações consulte o catálogo da UFMG neste endereço: http://www.editoraufmg.com.br/ (utilize a busca para achar o livro).

HOMENAGENS: Carlos de Assumpção, Eduardo de Oliveira

CONVIDADOS ESPECIAIS

Abelardo Rodrigues, Abílio Ferreira, Ademiro Alves (Sacolinha), Allan da Rosa, Alzira Rufino, Carlos de Assumpção, Cidinha da Silva, Cuti, Eduardo de Oliveira, Estevão Maya-Maya, Esmeralda Ribeiro, Fausto Antônio, Geni Guimarães, Heloisa Pires Lima, Henrique Cunha Jr., Jamu Minka, Luís Carlos de Santana, Miriam Alves, Márcio Barbosa, Oswaldo de Camargo, Paulo Lins, Ramatis Jacino, Ruth Guimarães, Sônia Fátima da Conceição.

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