Cadernos Negros volume 27

Poemas Afro-Brasileiros    

Este livro, de 2004, é um dos mais belos da série. Lançado numa festa memorável, figura entre as mais belas páginas da história da poesia afro-brasileira. Além de autores brasileiros, participa também um poeta do Congo. Restam poucos exemplares.

Autores:

Bas'ilele Malomalo
Cuti
Décio de Oliveira Vieira
Edson Robson alves dos Santos
Elio Ferreira
Esmeralda Ribeiro
Fausto Antônio
Helton Fesan
Jamu Minka
Lepê Correia
Luis Carlos de Oliveira
Márcio Barbosa

Oubi Inaê Kibuko
Sidney de Paula Oliveira
Suely Nazareth Henry Ribeiro


Prešo: R$ 15,00 (quinze três reais)


Veja a seguir três textos sobre o Cadernos Negros 27

Joel Zito Araújo
cineasta, diretor de As Filhas do Vento:

Algumas recordações permanecem vivas em nossas memórias e resistem bravamente contra a avalanche de emoções a que o correr da vida e dos nossos projetos nos deixam expostos. Os Cadernos Negros entraram na minha vida, e em minha formação como artista negro, nos anos oitenta.
Mudei-me para Sampa em 1984. O mosaico étnico da cidade foi um dos encantos que me levou a abandonar a minha Belo Horizonte e mergulhar na Paulicéia. A Belzonte que vivi, apesar de metropolitana, me parecia muito encantada com a Paris de Lacan, de Castoriadis e dos trotskistas da IV Internacional, mas distante das conexões intelectuais raciais que me faziam falta. Era um mundo, do meu ponto de vista, muito branco e artisticamente provinciano e colonizado – apesar de estar atento às ondas modernas européias. Mas a modernidade-mundo não ocorre somente no Quartier Latin.
O que passei a viver em Sampa, com sua enorme diversidade e com o encontro natural, ansiosamente sonhado, com militantes e vários escritores que participavam do coletivo que viabilizava os Cadernos Negros, fertilizou intensamente a minha mente, minha alma e minha identidade.
A influência desses poetas e escritores, participantes dos Cadernos Negros, foi além das mesas de bar e seminários de que participei, onde ouvi histórias, criações e críticas. Com eles, pude viver por dentro a cena diaspórica paulistana – participar de ensaios nas escolas de samba, conhecer o mundo do hip hop, deliciar as feijoadas do Aristocrata e os diferentes bailes blacks da cidade. Naquele convívio, eles me colocaram em contato com um mundo negro mais amplo, além das fronteiras nacionais. Foi aí que comecei a ler também os autores afro-americanos, afro-martiniquenses e caribenhos, além dos africanos.
Para finalizar, aproveito a oportunidade para deixar o registro do meu interesse em aproveitar este manancial de emoções e reflexões que correm por aqui nos meus projetos cinematográficos que estão sendo desenhados para o futuro. Com certeza, Cadernos Negros estará dentro do meu cinema de uma forma ainda mais presente que a citação aberta que fiz em "Filhas do Vento", através do personagem Dorinha.
Longa vida para Cadernos Negros!


Vanderli Salatiel
Educadora:

Há 27 anos acompanho as publicações dos Cadernos Negros. Foi a concretização de um sonho de muito tempo e o surgimento de uma nova era de escritores negros com coragem para ir adiante, e foram...

Hoje os Cadernos Negros são um marco que anualmente contribuem com a literatura e também com o orgulho e a auto-estima do afro-descendente. São um exemplo para toda a comunidade brasileira, pois negros e brancos se beneficiam com essa diversidade dentro da nossa literatura. Desde seu surgimento, essas publicações vêm dando alento a vários escritores, poetas e poetisas negros de grande valor e que, para a comunidade negra, têm um significado inigualável, pois através deles são expostas nossa história e nossa alma negra.

Foi necessária muita garra para que autores negros pudessem ter seu espaço dentro da literatura brasileira por meio de seu próprio esforço. Nem a sociedade editorial nem os literatos apostaram nesse trabalho. Quantos poetas e contistas negros receberam o devido reconhecimento do mundo literário, como escritores, através dos Cadernos Negros! De outra forma, talvez, nunca teriam essa chance.

Acredito que Cadernos Negros, exatamente pelo papel que desenvolve dentro da comunidade, irá sobreviver por muitos e muitos anos.


Matilde Ribeiro
Ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial :

Da militância política das ruas e escadarias às mensagens poéticas: agudas, firmes e comprometidas com a vida dos que não tiveram, e muitas vezes ainda não têm, o direito à criatividade e à palavra.
A adoção do nome desse pacote poético – Cadernos Negros – é por si só um desafio. Quando criado, lá nos idos 1978, ainda não havia receptividade no Brasil para aceitar algo que contivesse a palavra negro como positivo. Uma boa jogada foi chamar esta criação de Cadernos, pois isto chama o nosso imaginário para a lembrança afetiva dos primeiros escritos e dos registros do cotidiano.
A nossa história de negros está lá estampada: as de infância, as de nossas avós, as de mulheres e de homens que lutam, choram, produzem e têm mania de ter fé na vida. Que bom, uma história contada por nós mesmos, com nossos conhecimentos oficiais e vivenciais, por meio de nossos próprios olhos e sentimentos.
Os Cadernos Negros já entraram para a história do país, melhor dizendo, para a história da literatura brasileira. Tornaram-se referência fundamental no exercício de pensar e sentir a população afro-brasileira. Símbolo de união entre pessoas de diferentes organizações do movimento negro e posições políticas, ao longo das 26 edições as histórias, fatos e criações denunciam, emocionam, excitam e fazem mais alta a voz da população negra.
Foi assim o trajeto desses Cadernos Negros, que chegam a nossas mãos como um presente de nossos ancestrais. Este é um bom resultado de persistência, cuidado e amor por uma boa idéia.
Os Cadernos Negros são sem dúvida um estímulo para quem está chegando e quem ainda não se deu conta de que poesia, contos e registros literários fazem parte da vida, fazem parte da política e são elementos deste Brasil passado a limpo.

 

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